Monday, May 7, 2007

Dias 14, 15, 16 - Chiang Mai, Pai e Mae-Hong-Song

Dia 14 - Chegada a Chiang Mai e Pai

Chegámos a Chiang Mai eram 6:00 da manhã, saímos do comboio e o fomos directos a um Hotel para decidir se íamos ficar ali ou se seguíamos caminho para Pai.

Pai, de acordo com as informações que tínhamos, era uma pequena aldeia mais a Norte que é um dos pontos de encontro de muitos Backpackers. Após alguma deliberação decidimos por Pai.
Mas antes, o Nuno F. como era seu hábito, agarrou no seu guia e preparava-se para bater a pé todos os Wats de Chiang Mai e outros pontos turísticos.
Eu que já estava farto dos milhares de Wats que já tinha visto recusei-me a seguí-lo. Ainda pensei alugar um riquexó e dizer " Fallow that man" mas achei que era demais. Peguei na minha máquina e fui fotografar alguns aspectos de Chiang Mai sem ter que andar muito. O Nuno C. acompanhou-me.
O centro histórico de Chiang Mai é uma zona agradável com casas pequenas, algumas de tipo colonial. Esta cidade nada tem a haver com Bangkok!

Após o regresso do Nuno F. da sua volta dos Wats, seguimos para a central de camionagem para apanhar a camioneta para Pai.
Os autocarros estavam todos estacionadas ao lado uns dos outros, quase todos tipo autopulman com um óptimo aspecto, à excepção de um, uma carripana velha e já apinhada de gente. Para cúmulo dos azares era esse o nosso. Não podíamos acreditar!!! As mochilas foram atiradas para cima do autocarro e nós tivemos que aguentar 4 horas e meia de viagem, em pé, entalado num autocarro velho, sobrelotado de locais e backpackers, entre sacas de cereais e vegetais, com uma única paragem para esticar as pernas ao fim de três horas e meia de viagem num povoado constituído por três cafés.
As quatro horas e meia de viagem fazem-se numa estrada razoável em plena selva. De tempos a tempos, junto à estrada abrem-se clareiras em que se vêem campos de arroz a serem trabalhados para logo a seguir darem lugar à selva outra vez.
Esta viagem e o desconforto a ela associado foi claramente o ponto baixo de toda a minha estadia na Tailândia.

Chegados a Pai verificámos que é um lugar encontro dos backpackers. Um ponto de descanso, em que as atracções são o ambiente e os passeios de Elefante que se podem fazer. O número de elefantes por metro quadrado é tal que num passeio a pé à volta de Pai é mais fácil encontrar elefantes do que cães ou gatos.
-Procurar Hotel (o meu era barato mas demasiado rústico)
-Almoçar tarde
-Marcar, para o dia seguinte, um passeio até Mae-Hong-Song e visitar os campos de refugiados Birmaneses conhecidos por "Long Neck People" e "Long Ear People".
-Ficar por barzinhos, a para relaxar da jornada que se tinha iniciado 48h antes.
-Jantar
-Banho e dormir cedo (A casa de Banho não tinha tecto e o duche era de mangueira!!! Garantidamente que amanhã mudo de sítio)


Dia 15 - Passeio a Mae-Hong-Song
-Acordar
-Mudar de Hotel (ou melhor dizendo de pensão ou quarto)
-Pequeno almoço (panquecas óptimas)
-Saltar para dentro da carripana e iniciar viagem.
Era uma carripana de caixa aberta coberta com um toldo e com uns bancos corridos desconfortáveis. O condutor ia cortando a estrada como se esta tivesse um só sentido. A estrada muito sinuosa ia-nos guiando por bonitas paisagens de selva, alternadas com algumas clareiras esporádicas onde era cultivado arroz.
Parávamos em pequenos povoados para visitar os mercados locais, para comer e vêr algum artesanato que valesse a pena comprar.

Primeira paragem: aldeias de refugiados dos Long Neck and Long Ear People.
Estas aldeias são um pouco para turista ver. Apesar disso a taxa que se paga para as visitar e o artesanato que lá se compra é uma forma de estes refugiados terem alguma fonte de subsistência e de o Governo Tailandês gastar menos com eles.
Ao visitar a aldeia é notório as condições precárias em que eles vivem.
As “Long Neck Women” fazem impressão. O comprimento dos pescoços vai aumentando com a quantidade de argolas que elas vão colocando ao longo do tempo. No entanto, e de acordo com a informação que nos deram, se elas retirarem essas argolas do pescoço, este volta gradualmente ao normal.
Esta tradição é uma questão estética... esses Birmaneses!!! Não sei como é que podem achar que a mulher fica mais bonita assim!! Sim porque os homens não vão nessa de usar argolas.
Calculo que eles devam achar o mesmo absurdo relativamente aos saltos altos da mulher ocidental!!Paragem seguinte, Mae-Hong-Song, junto à fronteira com a Birmânia, no extremo noroeste da Tailândia. Este é um dos locais mais quentes no tráfico de ópio. É necessário ter muito cuidado e evitar confusões.

Aproveitámos para almoçar num restaurante relaxado ao pé do lago central da cidade.

Mae-Hong-Song foi um dos locais usados para filmar o filme "Air América". A cidade estende-se por uma área enorme, com casas térreas e ruas viçosas de árvores e vegetação. Também aqui a arquitectura tem muito de colonial. Vale a pena subir ao Wat no topo do monte que domina toda a cidade.

Ao descer desse monte demos boleia a um local que se não estava completamente "opiado" imitava bem.

Paragem seguinte, já no caminho de volta, uma cascata com um caudal e alturas razoáveis.

-Voltar para Pai já no final do dia
-Marcar passeio de elefante para o dia seguinte
-Jantar
-Ida a um bar fumar uma Narguilada
-E dormir, agora sim num quarto decente!!


Dia 16 - Passeio de Elefante e Meditação

-Acordar
-Pequeno Almoço
-Ir ter com a mulher com quem combinámos o passeio de elefante. Levou-nos de carro aos arredores de Pai onde tinha o elefante.
Assim que lá chegámos, esqueceu-se de nós assim que viu a sua pequena elefante "Joy". Saltou para ela e começou a brincar com ela com uma alegria que espelhava também a alegria da pequena elefante ao vê-la.

Depois desse momento lá se lembrou de nós e fomos montar a mãe elefante. Esta com 22 anos e uma bisarma de músculo. Estupidamente escolhemos montar "em pelo" em vez de usar os confortáveis palanques. Foi uma experiência única e se depender de mim vai continuar única para sempre. Ao fim de um certo tempo o desconforto e as dores no rabo são enormes.
Contentes com o fim do passeio fomos convidados por Jitty para tomar banho numa piscina com água quente sulfurosa de nascentes vulcânicas, no terreno dela. Excepcional!!
Ficámos a conversar com ela sobre os elefantes e como é que ela os tinha comprado. Foi sozinha à Birmânia, para a selva, comprar a elefante a lenhadores Birmaneses. Lá teve que contratar dois soldados devido ao perigo que aquela zona tem. Era um sonho de criança e quando estava prestes a desistir de tudo resolveu ir atrás desse sonho de miúda.

-Voltámos a Pai;

Hoje os Nunos partiram para Sul e eu decidi ficar por cá mais um ou dois dias para fotografar os arredores de Pai e para aprender meditação com a Jitty. Estava farto de correrias. Em principio parto amanha e encontro-me com eles em Bangkok e vou de avião, são só 50€, embora ainda tenha 4 horas de autocarro até chegar a Chiang Mai.

Uma curiosidade: Nesta aldeia é possível tirar cursos de massagens aos pés e tailandesa.

-Os Nunos decidiram voltar para Bangkok da mesma forma que tínhamos vindo. Para mim chegava de viagens em comboio e autocarro mal instalado. Decidi ficar mais um dia e voltar para Bangkok de avião. Estou farto de correrias e o custo é de apenas 50€ e uma hora de viagem!! Vale claramente a pena!!!

-Agarrar na máquina fotográfica e sair a passear pelos arredores de Pai a fotografar a vida rural. As plantações de chá são enormes e em todas as fazendas se vêem elefantes.
Ver elefantes na estrada é algo comum aqui nesta zona.

No fim dessa minha volta passei outra vez pela fazenda da Jitty, entrei e ficámos mais algum tempo a conversar, sobre filosofia, Budismo e Meditação que ela disse que me ia ensinar.

Percebi que Jitty era uma daquelas pessoas que se encontra muito raramente. A vida dela dava para fazer um filme. Um décimo daquilo porque ela passou faz os nossos problemas parecerem uma coisa insignificante! Eu fiquei mesmo a achar que eu não tenho problemas. Sérios pelo menos!!
Foi vendida pela própria família entre outras coisas bem piores por que passou, já perdeu tudo 3 vezes e teve que recomeçar do zero. Uma no Laos em que fez frente a máfia de lá que queriam ficar com o restaurante dela, e duas na Tailândia. E no entanto consegue ter uma filosofia de vida e uma alegria impressionantes, e apesar das dificuldades consegue reunir uma série de pessoas para ajudar órfãos.
No fim do dia ensinou-me a fazer meditação. Nem sempre se consegue à primeira mas tive sorte de principiante.

Amanhã sigo finalmente para a última paragem Bangkok!!!

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